Logo no início da Pandemia fui contra as aulas remotas, por
que?
Porque professores e alunos são seres humanos e vivem em
suas casas como todo mundo.
Qualquer outro profissional que está trabalhando remotamente
está sentindo a mesma invasão de privacidade que um professor, é verdade. Mas
ninguém fica 6 horas seguidas no ar administrando alunos que até pessoalmente
tem défice de atenção. Como administrar a aprendizagem numa porção de telinhas
na sua frente se tiver computador ou numa telinha de celular. Como preparar aulas
remotas, indicar links para leitura, como pesquisar bibliografia na internet,
sem tempo, lembrem-se na Pandemia todo mundo faz os trabalhos domésticos,
faxina, comida, e como todo mundo também tem direito ao lazer, ficar sem fazer
nada. O que estão fazendo com os professores do Brasil é tortura. É maldade de
uma geração de adultos que hoje estão no poder e odeiam Escola, Salas de Aula,
Professores, Diretores de Escola. E nós hoje estamos pagando porque esses seres
abjetos hoje é que decidem o que vamos fazer em sala de aula.
Escrevi vários textos no início da Pandemia indignada com
essas aulas universalmente administradas no Brasil, principalmente em Escolas
Privadas. Obrigatória. Ou se adapta e dá as aulas ou é demitido sumariamente por
incapacidade no seu oficio. Incapacidade, como assim? Muitos desses
profissionais já estavam na Escola há 5, 10 ou 20 anos com um rendimento
comprovadamente eficaz, e como de uma hora para outra não estão dando o
rendimento necessário? Certo, as aulas são remotas. E muitos desses
profissionais nunca entraram em uma Plataforma de EAD (Educação à Distância), fomos
todos pegos de surpresa com essa Pandemia, foi novidade para todo mundo. Tá. E
porque só o professor tem que ser expert em aulas remotas. Muitos que estão em
sala de aula não foram preparados para utilizar uma Plataforma de EAD, no
máximo tiveram 2 ou 3 horas de treinamento para isso, e esse tempo é muito
pouco para que nós possamos mudar toda uma performance na tarefa de educar.
Fui professora de EAD pela UFRPE e nós tivemos um Curso de 6
meses administrado pela UFF com aulas presenciais (UFRPE) e remotas (UFF). Por
que exigir destes professores em algumas horas de capacitação remota um
desempenho à altura das aulas que eles davam presencialmente.
Além desses fatos concretos descritos acima das dificuldades
de qualquer ser humano normal em aprender esse novo oficio em tão pouco tempo
de forma inadequada. Estes mesmos professores e alunos têm que lidar com uma
Pandemia. Só sabíamos disso através de literatura, filmes ou peças teatrais. “Morte
em Veneza”, “O amor nos tempos do Cólera”, etc. E agora estamos nós tendo que
explicar pra crianças, jovens, adultos e idosos que não podemos visita-los, que
não podemos beijá-los e abraça-los por mais vontade que tenhamos. E agora esses
mesmos governantes que nos obriga a ter um emocional acima do humano querem
colocar esses mesmos professores que com muita dificuldade estão se adaptando
as aulas remotas (absurdas e desnecessárias) – a Escola é lugar de socialização
e aprendizagem- eles querem colocar 500.000 crianças comprovadamente testadas
com o vírus do Covid-19 com as outras que não tiveram contato com o vírus pra
se abraçar e beijar nos lugares onde não tem o olhar da coordenação ( por
exemplo: dentro do banheiro da Escola) e levar esse vírus pra sua casa e pra
sua vizinhança. Se hoje (19.07.2020) somos 78.509 contaminados em Pernambuco e 2.074.860
(dados: seplag.pe.gov.br) no Brasil sem o contato na Escola imaginem quando
milhões de estudantes voltarem a convivência diária.
As Escolas no mundo que estão abrindo têm os cuidados básicos
de higiene, nossos alunos não têm em sua maioria água encanada em casa.
No Censo Escolar no Brasil 2018, INEP-
inep.gov.br, foram matriculadas : 48,5 milhões de matrículas nas 181,9 mil
escolas de educação básica brasileiras.
As matrículas na educação
infantil cresceu 11,1% de 2014 a 2018, atingindo 8,7 milhões em 2018.
Em 2018 foram registradas 27,2 milhões de matrículas no ensino fundamental.
A rede municipal
é a principal responsável pela oferta dos anos iniciais do ensino fundamental
(67,8% das matrículas)
Foram registradas 7,7 milhões de matrículas no ensino médio em 2018.
O número de matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) chegou a 3,5
milhões em 2018.
O número de matrículas da educação especial chegou a 1,2 milhão em 2018.
Censo Escolar da Educação Básica é uma pesquisa realizada
anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep) em articulação com as Secretarias Estaduais e Municipais de
Educação.
Juntando-se com 2,2 milhões de docentes na educação básica
brasileira. A maior parte desses
docentes atua no ensino fundamental (62,9%), onde se
encontram 1.400.716 docentes.
Além dos profissionais responsáveis pelas administração e
manutenção dos prédios Escolares vocês imaginam a tragédia que vai acontecer no
nosso país.
Quantos de nós precisarão morrer para que nossos governantes
entendam a necessidade URGENTE E IMEDIATA da suspensão da flexibilidade do
ISOLAMENTO SOCIAL.
#NÃOASAULASPRESENCIAIS
#ForaBolsonaro (sem Partido)
#ForaPauloCamara (PSB)
#ForaGeraldoJúlio (PSB)