terça-feira, 5 de novembro de 2019

RESISTIREMOS
No Brasil se tem tanto medo das lideranças locais na resistência e na Independência do Brasil. Como também na formação de nosso povo que se omite fatos e personagens na história oficial. Esses personagens e comunidades são omitidos ou no mínimo tratados como rebeldes sem cara nem nome. E os marcos históricos são os palácios erguidos e as sedes de governo.
Resistiremos!
Um dia nossa história será ensinada nas Escolas contando os fatos realmente relevantes para a formação do nosso povo e da nossa história e os verdadeiros heróis de nosso país serão exaltados, reverenciados e referendados nos livros didáticos.
Nesse ano de 2019 três filmes foram muito importantes para a formação da nossa psique coletiva. Um foi a “Torre das Donzelas” documentário longo que traz a história de militantes que lutavam contra a Ditadura Militar de 1964. Essas mulheres relembram o momento em que elas foram presas, torturadas e mantidas nessa cadeia. Elas ficavam em um local longe das outras presas comuns.
O outro filme foi Bacurau. Filme de plateia lotada em mais de 3 meses de exibição. O roteirista disse que ao escrevê-lo considerava ser um filme de terror pernambucano, que fez em parceria com um estúdio americano. O roteiro original é de 2008. A propaganda boca a boca, e das mídias digitais o tornaram o filme mais esperado do ano. Amei o filme. Fantástico e surpreendente. E por ser um filme de cunho político neste Brasil de mais um Golpe de Estado, fiquei surpresa de ainda não ter sido censurado. É um filme sobre Resistência! Neste filme não tem protagonista todos os cidadãos são retratados com a mesma importância.
O terceiro filme foi o “Coringa”, filme americano. Mas que surpreendentemente trata de Resistência. O protagonista é o Coringa, apesar de ser o personagem principal, ele é o mais humano, pobre e desqualificado dos personagens como a maioria das pessoas que compõe o POVO. Mostra as mulheres como protagonista da história. Duas psicólogas negras, a mãe dele e uma mãe solteira também negra e sua filhinha negra aparecem contracenando com o psicopata e desequilibrado personagem Coringa. Enfatizei o fato delas serem negras por que geralmente os filmes americanos não mostram os negros como fazendo parte do dia a dia do “mundo” americano estadunidense. Em um momento de pânico e humilhação por 3 jovens ricos que já haviam humilhado e constrangido uma jovem no metrô. Ele dispara sua arma e sem dó nem piedade acaba com a vida deles. Em vez de ser condenado pelo seu Ato. O palhaço, assim ele estava vestido, é reverenciado pela população e se torna ídolo de todos, claro com exceção dos ricos e da mídia. A cidade desestruturada e violenta pelas condições de fome, desigualdade social e desemprego torna-se violenta e descontrolada. Violência gera Violência, e o povo como em Bacurau e na Torre das Donzelas resolve fazer justiça pelas próprias mãos e tentar resolver o Caos em que se encontram.
Espero que o Brasil do Golpe de 2016 não chegue a esse extremo, mas quem viver verá!
Resistiremos!